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sábado, 12 de dezembro de 2015

Sentido



A verdade é que sempre busquei algum sentido na vida. Me lembro de certos momentos, ainda criança, no qual eu olhava diretamente para as minhas mãos, mexendo-as lentamente, e pensando: "Por que eu existo?" Talvez esse tenha sido meu primeiro devaneio, mais ou menos aos seis anos de idade, e desde lá não parei. Nunca entendi o sentido de certas coisas que fazemos; trabalhamos em empregos que não gostamos para comprar coisas das quais não precisamos. Batalhamos a vida inteira para conseguir o dinheiro do carro novo, imaginamos que seremos extremamente felizes quando adquirirmos, mas essa tal felicidade nunca vem. O carro veio, a casa, o casamento, os filhos, a promoção no trabalho, mas a tal da felicidade e o tal do sentido nunca chegam. E quando vemos, estamos em leito de morte.

No meu caso, eu sempre penso que a felicidade está nas coisas que eu não possuo no momento. Se estou solteiro, creio que está em ter alguém. Mas quando achei alguém, não achei a felicidade junto. E então pensei que era ao estar solteiro, mas de novo ela não veio. Quando estava sem estudar, jurava que a felicidade começaria ao entrar para a faculdade. Entrei. E então pensei melhor e jurei que estava em não estudar, mas sim trabalhar em outra coisa. E assim vou vivendo um eterno ciclo, onde sei que estou preso, mas não como sair. Talvez seja aquele velho ditado: "a grama do vizinho é sempre mais verde."

Mas uma coisa que me incomoda muito é pensar demais. Tem horas que eu gostaria de ter a ignorância que a maior parte da população possui. Queria acreditar que a felicidade está na cerveja tomada na mesa de bar, para esquecer da semana horrível no trabalho; ou então no futebol de domingo, vendo meu time ganhar; e quem sabe, ainda, no ato de comprar algo caro do qual eu não preciso, simplesmente para me mostrar? Toda essa vida ilusória é uma verdadeira benção, pois eles são felizes. Agora, para quem pensa demais, nada está cem por cento. E o meu maior desejo era me sentir assim.
Confesso que tentei. Eu sempre busco sair e seguir o padrão social, e ele até funciona enquanto o alcóol está no corpo. O problema real é quando o efeito passa, aí, meu amigo, tudo volta em dobro, e o que eu faço é isso! Escrever para o nada, apenas expelindo esses pensamentos, para que eu possa voltar ao trabalho que odeio e comprar as coisas que não necessito. Ah, falando nisso, saiu um novo modelo de celular. Preciso comprar.
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