Conforto
Se calassem a voz
talvez veriam demais,
no túnel da vida
não a coragem que faz
Por razões sem sentido
Regurgito o passado
Da fome que fico
Me alimento do escasso
Deus é meu pai
mas também meu algoz
Fruto do medo
Insurgente e Feroz
Quem es tu que proclama?
A razão já devaneia
Sonífero de discórdia
É a santa que reina
Se olhasses a mim
daria a ti a vida
pra vê-lo cair
na falsa agonia
Que me leves ao réu
o único perdoado
dos filhos solenes
o conhecido diabo
Seja menino ou moça
a morte o chama
com pétalas de rosas
o espinho sua cama
Espero que entenda
que aqui não a pudor
os poucos que teimam
cremados de amor
Adeus minha criança
que durma com os anjos
porque a noite que fica
não restara em seus prantos.