Cresci numa família com ideias bem tradicionais, diria que até tradicionais de mais. Meus pais sempre foram ótimos, me ensinaram coisas que não sei se todo pai e mãe ensina a seu filho, sempre estiveram dispostos a fazer tudo pelos seus filhos. E eu sendo o mais novo já cheguei na família com o bonde andando, por ser uma pessoa que observa muito as coisas ao redor, comecei desde cedo a ver o mundo com meus próprios olhos, o que me fez entender alguns conceitos básicos da vida.
A maior lição que eu aprendi com meus pais foi que as vezes você precisa tomar na cabeça para aprender certas coisas, e embora pensem que eu apanhei muito na infância o que ocorreu foi o contrário, eu apanhei muito pouco. Meus pais sempre ótimos samaritanos e contra a violência sempre conversaram comigo e com meus irmão pra resolver os problemas, em partes isso sempre resolveu tudo. Por outro lado eles sempre se puseram na frente de tudo e todos por nós, o que muitas vezes levou eu e meus irmãos a um comodismo por sempre poder contar com eles dessa forma.
Porem quando você é uma pessoa que pensa muito e tende a criar seus próprios princípios da vida, você começa a achar falhas subsequentes em tudo. Sempre achei errado o amor incondicional que meus pais tem por mim, sim, eu sei que quem estiver lendo esse texto vai me achar um louco maquiavélico por isso. Mas a questão é que esse amor incondicional levou eles muitas vezes a deixar passar certas coisas ou sofrerem por nós sem nem mesmo dizer algo, claramente algo que ótimos pais fariam por seus filhos.
Meus pais são meio iguais aos "Crods", do filme, sempre acharam que o melhor lugar e mais seguro é sua casa, por esses motivos na minha infância até virar maior de idade convivi com esse fato, e pros meus pais a amizade com outras pessoas fora da família é uma coisa super fula. Sair de casa para ir no shopping com os amigos era algo impossível, e sinceramente não me lembro uma vez em que fiz isso, parques, festas então, era ainda mais improvável de acontecer. Eu meio que me tornei como meus pais durante minha adolescência, acho que até hoje sou meio assim, vejo as pessoas a minha volta mas uma grande maioria parece que eu poderia trocar a qualquer momento, e sempre o lar sera o lugar mais seguro, o que por muitas vezes na minha adolescência me levou a muitas mentiras para ter que fugir do convívio social. A pior parte de tudo isso foi ter visto o tempo passar e eu me afastar de muitas pessoas por falta dessa convivência, sendo que eu poderia ter aproveitado muito mais tudo.
Quanto aos meus irmãos, sempre tive um problema serio para me relacionar com eles, passei muito mais tempo da minha vida enfurnado no meu quarto mexendo no computador ou desenhando, do que realmente convivendo com eles. Isso porque eu nunca consegui entender esse amor incondicional que meus pais tem por nós, já perguntei isso para eles muitas vezes, mas ainda é difícil entender. A questão é que meus irmãos parecem nunca terem entendido isso, por mais que tenhamos ficados mais velhos nós três tivemos problemas sérios para entender o mundo, meu irmão mais velho até que não, mas até pouco tempo atras a dependência que ele tinha em relação aos meus pais me incomodava muito. Minha irmã na verdade sempre foi o problema, nunca nos demos realmente bem, o problema disso é que minha irmã tem um gênio forte, irritavelmente forte. Sei que parece que estou fazendo um desabafo, mas a verdade é que isso são fatos.
Para uma pessoa que não consegue entender uma pessoa se matando pela outra, igual meus pais fazem, ver o que minha irmã faz me tira do sério. Por ser sempre a menininha da casa, meus pais sempre fizeram com que a "Balança da Justiça" pendesse sempre pro lado dela, o que sempre fez ela querer mandar e desmandar dentro de casa, meu irmão e eu, claro, já ficamos muito puto por tudo isso, já brigamos muitas vezes e isso continua acontecendo. Claro que como irmão não tenho nada contra ela, mas a questão é que as vezes a situação fica insuportável, porque se fosse meu irmão eu sairia na mão com ele e tudo estaria resolvido, minha irmã eu nunca faria isso porque eu nunca bateria numa mulher por mais que seja minha irmã.
A questão é, independente de tudo isso, eu não vim desabafar sobre a minha relação com minha família, eu vim desabafar sobre eu mesmo. O fato de eu ter me distanciado tanto dos meus pais e irmãos por pensar assim, o fato de ter perdidos chances partes por causa dos meus pais e partes por meu próprio pensamento. Não sei, minha mãe fala que eu sou uma pessoa gentil e que está sempre disposta a ajudar as outras, e eu também acho isso, mas as vezes acabo sendo grosseiro de mais e falando as coisas de forma errada e embora eu não seja sentimental, nas minhas ações, eu sou movido pelo oque sinto. Raramente eu faço coisas de caso pensado, ou se faço é porque tinha um fundo de sentimentalismo nisso.
Ainda quero entender porque uma pessoa se mataria pela outra sem pensar nela mesma, ainda quero entender porque eu não paro de pensar nessas coisas e simplesmente deixo a vida acontecer como ela tem que acontecer, ainda quero virar e dizer com firmeza que tipo de pessoa eu sou e que tipo de pessoa eu fui. A vida é um dilema as vezes triste, ela te da um leque de coisas para pensar e fazer, mas você nunca vivera o suficiente para resolve-los.